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ARTIGOS SOBRE O CARVÃO

O carvão e a autossuficiência gaúcha em energia

*Luiz Carlos Folador – Prefeito de Candiota

O desenvolvimento econômico e social é, e sempre será, uma das principais bandeiras do administrador público. Atualmente, o Rio Grande do Sul vive um dilema neste quesito. O Estado está em contínua ascensão. A indústria é um exemplo disto. Porém, para garantir esta continuidade – a qual gera emprego e renda para a sociedade e estimula o giro de capital no comércio local – são necessários níveis satisfatórios em abastecimento energético. E é exatamente aqui que nasce o atual dilema.
Apesar de estarmos em franco desenvolvimento, principalmente nos últimos anos, o RS ainda não é autossuficiente na produção de energia elétrica. Para atendermos a demanda atual, importamos cerca de 65% da energia consumida. Isto pode ser apontado como um fator determinante, na medida em que gera custos para ao caixa estadual e, ao mesmo tempo, impede a arrecadação de impostos como ICMS, que seriam de grande valia para novos investimentos.
A questão preponderante é que possuímos, em nosso território, uma solução a curto prazo para este problema. Possuímos 90% do carvão mineral prospectado conhecido do país. O restante encontra-se, em maior parte, também na região Sul, entre Santa Catarina e Paraná. A maior jazida a céu aberto do mundo, por exemplo, está localizada em Candiota. Sua produção, oriunda da Companhia Riograndense de Mineração (CRM), abastece toda a demanda da Usina Termelétrica Presidente Médici, também no município. E esta produção tem potencial para ser ampliada. Mas para isto, são necessárias novas usinas, que exijam o aumento desta produção.
A Fase C, da Usina de Candiota, aliás, é um exemplo oportuno de desenvolvimento econômico e social. Nós, que aqui vivenciamos isto, vimos o quanto a movimentação causada por esta obra gerou, não só na questão de proporcionar novos empregos e gerar renda para seus trabalhadores, mas transformando a realidade de toda uma região. O comércio foi aquecido, a rede hoteleira viu sua capacidade testada ao máximo, enfim, vários fatores favoráveis nasceram deste investimento – o maior originário do Plano de Aceleração do Crescimento, do Governo Federal, no RS.
Apesar da geração de energia a carvão ainda possuir um certo temor, principalmente de ambientalistas, as novas tecnologias já comprovam que os índices de poluição podem ficar sob controle. É tudo uma questão de investir em equipamentos modernos, os quais garantem isto. Estudos da própria CGTEE, sobre análise do ar respirado no município, mostram índices satisfatórios, muito abaixo dos necessários para garantir a qualidade de vida.
Para finalizar, é fundamental salientar que, para proporcionarmos novos investimentos neste setor, precisamos incluir as usinas a carvão nos leilões A -5, que o Governo Federal vai realizar neste ano. Isto proporciona, para as empresas interessadas em investir em novas usinas, a garantia de recursos para o financiamento de seus empreendimentos.



Alguém pode nos dizer por que é contra as futuras usinas de Candiota?

*Taylor Lima - Advogado

Importante mobilização de parte da região sul e da campanha do RS, titulada no início da década de 1990, no governo Synval Guazzelli, como Pólo Energético de Candiota, busca mobilizar a sociedade civil e lideranças políticas, no próximo dia 8, para inclusão nos leilões de energia do governo federal as Usinas a Carvão (A-5), oportunizando assim a construção de outras unidades.
Poderíamos elencar muitos fatores para defender a construção de termoelétricas, principalmente junto a maior jazida de carvão mineral do Brasil, em Candiota, mas vamos nos ater apenas às questões sócias, econômicas e ambientais.
A cidade de Nova York, na maior economia mundial, é cercada de termoelétricas. A Europa, maior centro cultural da humanidade, conta com inúmeras e indispensáveis usinas a carvão. 
A termoelétrica de Candiota, Fase “C”, concluída em dezembro de 2010, em funcionamento a todo vapor, é a materialização das novas tecnologias para mitigar as emissões de gazes e material particulado e total regeneração das áreas mineradas,  atendendo plenamente a legislação ambiental. Ora, só com novos empreendimentos vamos avançar e adotar  estratégicas para investir e usar novas tecnologias, desativando unidades poluidoras, assim como fazem os paises mais desenvolvidos.
De outra parte, o Pólo Energético de Candiota, em um raio de 100 km, é uma região subdesenvolvida, de conhecimento público, com índices de miséria absoluta, saúde e educação comparados a de regiões do Norte e Nordeste do País.
Dos vinte municípios gaúchos com pior percentual de miséria absoluta, três (Pedras Altas, Hulha Negra, Herval), fazem divisa com Candiota.
Dos cem piores índices, entre os 496 municípios do RS, outros cinco estão na mesma região (Cerrito, Piratini, Pedro Osório, Pinheiro Machado e CANDIOTA). E, ainda, mais da metade dos municípios gaúchos tem índices melhores do que Bagé (116.318 habitantes) e Pelotas (326.850 habitantes) as cidades pólos da região.
A propósito, a cidade de São Luiz, na divisa das regiões Norte e Nordeste do Brasil, com seus Parques Ambientais da floresta Amazônica e seus inúmeros rios importantes e muito úteis para a pesca, vai contar com a Usina “MPX Itaqui”, termoelétrica com carvão importado da Colômbia, para gerar 360 megawatts de energia, projeto orçado em R$ 1,8 bilhões, com geração de 3.400 empregos, com previsão de funcionamento ainda este ano.
E mais, nos últimos três anos, a MPX já investiu mais de R$ 4,3 bilhões na construção de três Usinas a carvão mineral no Ceará e no Maranhão que totalizam 1.440 MW de capacidade instalada. Os empreendimentos geraram 10 mil empregos no auge das obras, que serão concluídas até 2012.
Mesma MPX, por importante salientar, que possui dois projetos de Usinas para Candiota, UTE Seival-600 MW e UTE MPX Sul-600 MW, a primeira já com licença de instalação e a segunda com licença prévia.
As usinas térmicas são estratégicas e indispensáveis em um país que 90% da geração é dependente da fonte hídrica.
A princípio, não somos contra as termoelétricas a gás, biomassa e outras, queremos apenas a oportunidade de competir na busca de empreendimentos necessários para o desenvolvimento sócio econômico de uma região reconhecidamente pobre.
Se não vão colocar nos leilões do governo federal a compra de energia a partir das usinas térmicas a carvão (A-5), pelo menos digam-nos porquê?



Carvão mineral, a solução mais barata, confiável e prudente

*Luiz Antonio Dubois Ferreira,Ex-diretor do 1º Distrito do Departamento Nacional da Produção Mineral

Recente notícia de que haverá estudo para implantação de usina nuclear no Estado não só traz incredulidade como também constrangimento aos gaúchos, razoavelmente informados. Na maioria dos países industrializados a geração de energia atômica só se desenvolveu após o quase esgotamento das possibilidades hídricas e térmicas a carvão, principalmente.
Exemplos claros são a Alemanha, Estados Unidos, França e Inglaterra entre os principais. A África do Sul, ao tempo da segregação racial, por não dispor de petróleo e sofrer boicote internacional, foi obrigada a produzir gasolina e outros derivados a partir de seu carvão mineral o qual, devemos salientar, é muito semelhante ao carvão gaúcho. Não é crível que as autoridades federais da área estejam pensando, mais uma vez, em dispensar em definitivo o carvão nacional como gerador de energia.
A tecnologia moderna das usinas a carvão faz com que haja uma poluição mínima ao meio ambiente. A extração de carvão, que pode provocar aspectos fisiográficos desagradáveis durante a atividade, já demonstrou que a recuperação das regiões mineradas é total e a feição final é de campos naturais, que parecem nunca terem sido removidos. Isto pode ser observado ao longo da BR-290, no município de Arroio dos Ratos e também em Candiota.
É necessário que nós, gaúchos, nos unamos para defender a utilização de uma de nossas maiores riquezas, do contrário ela poderá permanecer para sempre dormindo em berço esplêndido. Já passou o tempo em que nossos políticos bradavam: se o carvão estivesse localizado em São Paulo teria sido plenamente aproveitado. Sempre que ouvíamos esta assertiva tínhamos a convicção de que era a afirmação de nossa incapacidade de enfrentar as dificuldades. À semelhança da luta para a instalação do Polo Petroquímico, devemos agora ter a mesma desenvoltura e atuação. Não faz nenhum sentido nem existe razão para pensar em instalação de usina nuclear no Rio Grande do Sul. Existe solução mais barata, mais confiável e mais prudente.

Energia para o Rio Grande Crescer

*Elifas Simas Engenheiro, presidente da CRM

Ligar a televisão ou acender uma lâmpada significa movimentar uma engrenagem da qual é difícil se ter a dimensão, tendo em vista toda a estrutura envolvida para que a eletricidade chegue até nós e proporcione todos os confortos da vida moderna. Por isso, a cada dia se torna mais urgente diversificar as fontes que compõem a matriz energética para trazer segurança para este processo. Ciente disso, o governo do Estado busca junto ao governo federal uma política de realização periódica de leilões A-5, o que permitirá maior participação de usinas termelétricas no sistema nacional. Hoje, apenas 3% da matriz energética do País é baseada no carvão, contrariando a tendência mundial que já chega a 39%. Só no Rio Grande do Sul estão localizados 90% das reservas nacionais, o que representa 5,376 bilhões de toneladas de carvão. Além de todo o potencial natural, existem atualmente cinco projetos termelétricos à espera de leilão que, se aprovados, representam US$ 7,8 bilhões em investimentos, sendo a maior parte na Metade Sul do Estado. Serão 2.550 MW e em torno de cinco mil empregos para uma região deprimida economicamente e que precisa retomar o caminho do crescimento, evitando o êxodo da mão de obra.
Essa injeção de recursos atende à política de desenvolvimento do governador Tarso Genro para a Metade Sul, revertendo um ciclo de empobrecimento e possibilitando também a diversificação da vocação produtiva da região. Também irá reverter o problema do déficit energético do Estado, que precisa importar 65% do que consome. Neste sentido, as mineradoras, em especial a Companhia Riograndense de Mineração, estão aptas a atender novas usinas termelétricas que venham a compor o sistema nacional a partir da expansão da sua Mina de Candiota, da Mina do Iruí e do esperado fornecimento da Mina do Leão II. Hoje contamos com tecnologia suficiente para fortalecer a utilização desta riqueza natural do Rio Grande, com investimentos em recuperação ambiental e programas sociais, ampliando o potencial multiplicador do carvão gaúcho para geração de empregos, desenvolvimento e qualidade de vida.



Carvão e meio ambiente: uma possibilidade

*Glauber Pereira, Em editorial do Jornal Minuano do dia 02 de agosto de 2011

Comprovada a viabilidade ambiental, é preciso ter poder de convencimento para incluir o carvão no leilão de energia.
Há uma luta importante sendo travada pelo município de Candiota, cujos resultados podem influenciar positivamente a economia de toda a região da Campanha. Por isso, a bandeira deve mobilizar as principais lideranças da Campanha gaúcha. No próximo dia 8, acontece na Vila Operária de Candiota, às 14h, a manifestação de apoio pró-carvão mineral com o objetivo de sensibilizar as autoridades federais para a inclusão do carvão nos leilões de energia A -5, a serem realizados em outubro de 2011. Qualquer falha nessa proposição resultará na instabilidade de investimentos e projetos do setor, já que não haveria supostos compradores para a produção regional.
Face a esta ameaça, vale a pena esclarecer, portanto, os motivos que fazem a energia termoelétrica ficar à margem da atual proposta de leilão. De acordo com as lideranças em visita ao Jornal MINUANO, capitaneadas pelo prefeito Luiz Carlos Folador, o carvão mineral ainda sofre com o que classifica como conceito desatualizado de "energia suja". Alheios às novas tecnologias já aplicadas à fase C, na qual a utilização de dessulfurizador com base no calcário reduz a níveis próximos a zero qualquer interferência nociva na qualidade do ar, a energia oriunda do carvão ainda é classificada como agressiva por alguns setores políticos do governo federal. Garantindo que tal realidade, ainda que tenha sido verdadeira no passado, está completamente ultrapassada, o manifesto serve para apresentar dados que comprovam que o carvão não é mais um "vilão" ambiental.
Ultrapassado o primeiro objetivo, três estados do sul do Brasil e mais de 15 cidades do Rio Grande do Sul deverão se fazer representar na atividade, inclusive, em função do alto padrão de geração de empregos. Em Candiota, a perspectiva é a de construção de duas novas usinas tendo por cálculo algo em torno de 10 mil novos empregos diretos na fase de instalação. Fora as vantagens previstas e das quais já se retirou experiências positivas com a construção de Candiota III, há ainda diversos setores complementares já preparados para extrair lucro e renda das atividades. Prova disso é o projeto elaborado pelo Centro de Ciências Exatas e Ambientais da Urcamp para o aproveitamento da argila de Candiota, no que seria a criação de uma nova cadeia produtiva denominada Polo Cerâmico regional de Bagé - possibilidade que logicamente tende a ampliar as oportunidades de crescimento da Metade Sul.
Mas atenção senhores, comprovada a viabilidade ambiental, é preciso ter poder de convencimento para incluir o carvão no leilão de energia. É por isso que este veículo apoia a iniciativa e convoca seus leitores para avaliar a possibilidade e participar efetivamente da mobilização. Só com a força das comunidades integradas ao projeto será possível mudar as opiniões atualmente determinadas a partir de Brasília. A história conta que a Campanha é capaz disso, eis mais um desafio.